sábado, 6 de agosto de 2011

Poste e árvore no meio do caminho do deficiente visual


Ruas da Praia de Iracema ganharam, recentemente, piso podotátil. O problema são os obstáculos.

Iniciada em maio deste ano, a requalificação de calçadas de algumas ruas da Praia de Iracema tem desagradado residentes e comerciantes do local. Além de reclamações ligadas à qualidade do serviço e ao ritmo lento das obras, aqueles que frequentam ou vivem na região apontam uma contradição "inexplicável". Em uma das vias contempladas, a Rua dos Potiguaras, foi feito um piso podotátil que, ao invés de colaborar, dificulta o trânsito de deficientes visuais.

Em determinados pontos da calçada, o caminho traçado é interrompido por postes de eletricidade ou árvores, representando risco aos cegos. Da forma como está configurada a calçada, a trilha que deveria ter como objetivo guiar com segurança conduz ao perigo. O que mais intriga os moradores é que o piso podotátil foi construído recentemente, como se os executores do serviço ignorassem a presença dos obstáculos.

"A gente costuma dizer que testa de cego tem ímã para poste. Nesse caso, não precisa nem de ímã", brinca o guarda municipal João Farias, que é deficiente visual, a respeito do risco que falhas desse tipo no piso tátil podem gerar.

Conforme o guarda municipal, os pisos táteis devem ser feitos, preferencialmente, em linha reta, sem obstáculos ou desvios. Quando não é possível que o piso seja feito sem desvios, ressalta, o ideal é que seja sinalizado que há um perigo à frente e que seja desviado o caminho - o que não é o caso da Rua dos Potiguaras.

Além da Rua dos Potiguaras, em vias como as ruas dos Tremembés e dos Cariris, localizadas próximo ao Estoril, os operários trabalhando e os materiais de construção há meses compõem diariamente o cenário. Na região estão sendo feitas a padronização das calçadas, intervenções de paisagismo e melhorias na iluminação pública.

Mesmo em trechos onde o serviço de requalificação se encontra praticamente finalizado, a reforma, na opinião daqueles que estavam habituados à calçada antiga, foi prejudicial. Inconformado com o resultado do serviço feito na Rua dos Cariris, o cabeleireiro Vicente Freire Júnior diz não entender a intenção da Prefeitura.

As intervenções realizadas nas vias fazem parte das obras de requalificação da Praia de Iracema, executada pela Coordenadoria de Projetos Especiais e Relações Institucionais e Internacionais (Cooperii).

Segundo a assessoria do órgão, o material que constitui as novas calçadas consiste em uma pedra de cimento com revestimento de concreto lavado.

Sobre o piso podotátil, a Cooperii informou ter encaminhado ofícios à Companhia de Energia Elétrica do Ceará (Coelce) para a retirada dos postes. Em relação às árvores, a Secretaria Executiva Regional (SER II) tem realizado estudo para determinar quais árvores poderão ser tiradas. No caso daquelas que não possam ser retiradas, o percurso será modificado.

Sobre a intenção da Prefeitura de retirar postes em trecho da Rua dos Tabajaras e adjacências para a construção de espaços de mobilidade para deficientes visuais, a Coelce informa que recebeu uma série de solicitações da Prefeitura para a retirada de postes na região, mas sem justificativas para a referida remoção das estruturas.

A Coelce disponibiliza equipe para fazer, com representantes da Prefeitura, visita técnica aos locais indicados pelo poder público para analisar a viabilidade dessa retirada, tendo como critério fundamental a manutenção do fornecimento de energia elétrica aos clientes da região.
Fonte: Diário do Nordeste

sábado, 23 de julho de 2011

Protótipo de Bengala Eletrônica

O estudante universitário Carlos Solon Guimarães criou um protótipo de bengala eletrônica de baixo custo com dois sensores que avisa o deficiente visual quando há algum obstáculo a um metro de distância. Cada um dos sensores – o mesmo usado em celulares – é programado para vibrar quando há um objeto acima ou abaixo da cintura.

“Quando ambos balançam quer dizer que o obstáculo é grande”, explica Guimarães, que criou o protótipo para o seu trabalho de conclusão no curso de Ciência da Computação da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI), no Rio Grande do Sul.

Nos Estados Unidos, já existe uma versão de bengala eletrônica vendida por US$ 1,4 mil. No Brasil, outro estudante criou um aparelho parecido, mas que conta apenas com um sensor e sai por R$ 500. “Só a parte eletrônica do meu protótipo, com componentes comprados no Brasil, custa R$ 225, sem contar a bengala”, diz Guimarães, que uso apenas softwares e hardwares de código aberto, ou seja, que qualquer pessoa pode usar e alterar sem pagar nada.

“A bengala foi feita com equipamentos de baixo custo. Isso não quer dizer que ele usou lixo eletrônico. Ele apenas aproveitou tecnologias abertas para fazer a bengala”, explica o professor Carlos Oberdan Rolim, corientador do aluno.

A ideia de Guimarães surgiu por meio de projetos da universidade que buscam alternativas para deficientes visuais. “Ele viu a possibilidade de desenvolver um projeto para que os deficientes não precisem mais ficar cutucando o solo para saber onde estão”, completa o professor.

Como a formatura de Guimarães está marcada para dezembro, ele ainda pretende melhorar o protótipo e estuda como a bengala será colocada no mercado.
Ainda não sei se será uma bengala fixa ao sensor ou adaptada. Espero conseguir investidores e vendê-la por, no máximo, R$ 300”, diz o estudante.

“O trabalho ainda não foi concluído, mas está bem adiantado. A ideia é ter uma bengala realmente formada. O protótipo é feito com canos PVC, por exemplo.
Também pensamos em, no futuro, criar um kit para que o deficiente conecte os sensores a sua bengala”, explica o professor Rolim.

Fonte: Deficiente Ciente

http://www.deficienteciente.com.br/2011/07/brasileiro-cria-bengala-eletronica-de-baixo-custo-para-deficientes-viisuais.html?utm_medium=twitter&utm_source=twitterfeed
Enviado por Andréia Barros / SAC

segunda-feira, 27 de junho de 2011

segunda-feira, 13 de junho de 2011

IV Prêmio Sentidos

Vem aí a 4ª edição do Prêmio Sentidos. As inscrições poderão ser feitas de 20/04/2011 a 20/07/2011. Participe contando a sua história,suas conquistas e superações. Mesmo quem participou da edição passada,tendo sido finalista, premiado ou não, poderá se inscrever novamente. E não é necessário se inscrever na mesma categoria, você pode escolher outra se achar mais adequado para o seu caso. Ou ainda, se você conhece alguém que tenha uma história que precisa ser conhecida pelo público,a oportunidade está aberta mais uma vez.


O principal objetivo do Prêmio Sentidos, uma iniciativa da revista Sentidos, Editora Escala, da Associação para Valorização e Promoção de Excepcionais (AVAPE) e do Instituto Ressoar, é reconhecer e valorizar o talento e capacidade das pessoas com deficiência de superar limites. Empresas e organizações do Terceiro Setor que contribuam com suas ações para uma sociedade mais consciente e inclusiva também podem se
inscrever.


O prêmio abrange três categorias: Gente como a gente, na qual serão avaliadas trajetórias de vida que demonstrem superação das dificuldades impostas pela deficiência e que escolherá apenas um exemplo para ser premiado; Talentos Especiais, que contemplará performances artísticas,esportivas e literárias, premiando três iniciativas, uma por ação; Menção Honrosa, que homenageará uma empresa e uma organização que contribuíram ou contribui para a inclusão social.

Inscrições

Os participantes poderão se inscrever somente em uma delas até o dia 20 de julho de 2011 pela Internet, sem taxa de inscrição. Para participar é preciso encaminhar uma cópia do material comprobatório de sua atuação como fitas VHS, CDs, fotografias, recortes de publicações, dissertações e projetos, além da ficha de inscrição, que estará disponível no site: www.sentidos.com.br a partir de 20 de abril.

Enviado por Paulo Roberto /SAC

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Miss Deficiente visual 2011‏

Uma beleza que vai além dos olhos

Associação dos Cegos do Rio Grande do Sul promove concurso de beleza na Capital. Vencedora
representará o Estado em concurso nacional.

Uma oportunidade de valorizar a mulher gaúcha com deficiência visual. Esse é o objetivo do I Concurso de Beleza Miss Deficiente Visual Acergs (Associação de Cegos do Rio Grande do Sul), que será realizado na próxima terça-feira, na Capital.

Ontem, foi um dia muito especial para as 13 concorrentes com idades entre 18 e 35 anos, cegas ou com baixa visão: elas escolheram o vestido com o qual vão desfilar, no Chalé da Praça XV, a partir das 20h. Como simpatia, desinibição e elegância são quesitos a serem avaliados, as meninas treinaram ontem na loja de vestidos Roupa Nova.

- Eu adorei a ideia (do concurso)! Eu acabei com o xis e estou só nas frutinhas - disse a estudante de Direito Rute Antunes de Mello, 21 anos, uma das candidatas.

Filho ajudou na escolha

Como sabe que a cor rosa combina com o seu tom de pele, Rute escolheu um modelo longo, todo bordado.
- O toque (do tecido) conta muito (na escolha da roupa), se ela está confortável, mas a cor é importante também - revelou Rute, que contou com o apoio das profissionais da loja para acertar os detalhes do figurino.

Já a telefonista Letícia Severo da Rosa, 31 anos, do Bairro Mario Quintana, levou o filho Gabriel, 11 anos, para opinar sobre o visual.

- Eu trouxe ele para dar uma opinião porque ele é muito crítico, mas quase me arrependi porque ele queria me cobrir inteira - divertiu-se Letícia, que no dia-a-dia prefere peças básicas e um estilo clássico para facilitar a escolha das roupas.

A autoestima em alta

A atendente de telemarketing Eliane Santiago de Oliveira, 28 anos, de Viamão, resumiu o sentimento das candidatas:

- É um momento para a gente se sentir com a autoestima lá em cima.

Ela optou por um vestido verde, cheio de brilhos - todas usarão modelos com pedras bordadas, em crepe e musseline.

As candidatas tiveram que definir seu conceito de beleza e escolher uma frase como lema.

- Para mim, beleza é tudo o que vem da pureza e deriva do amor incondicional - disse a estudante de Pedagogia Mirian Antunes de Mello, 23 anos.

Viagem ao Nordeste

A vencedora, além de ganhar um final de semana em Bento Gonçalves, uma joia e outros brindes, viajará para o Rio Grande do Norte, para representar a entidade no concurso em nível nacional.

O evento terá Regina Lima, apresentadora do Teledomingo, da RBS TV, como cerimonialista, e a maquiadora da RBS TV, Alice Salazar, no corpo de jurados.

A Acergs é uma entidade filantrópica, que presta atendimento assistencial ao deficiente visual e seus familiares.

Informações: 3225-3816

Enviado por Paulo Roberto.
Fonte: http://www.clicrbs.com.br/especial/rs/diario-gaucho/19,222,3333080,Uma-beleza-que-vai-alem-dos-olhos.html

terça-feira, 7 de junho de 2011

ENTRE A LEI E OS INTERESSES

O Procurador Geral da República arquivou os pedidos de investigação sobre o enriquecimento instantâneo do Ministro da Casa Civil do PT, Sr. Antonio Palocci. O representante do Ministério Público Federal precisa vir à tona, para apresentar a sua tese de absolvição sobre o blindado homem de confiança da Presidente do País.


A mídia, a oposição, o povo, os sensatos, os honrados e tantos outros segmentos de uma sociedade moralmente correta, querem ter seus interesses respeitados, ou seja, desejam comprovações legais de que o patrimônio do Sr. Palocci cresceu dentro de uma matemática saudável e de uma ciência social honesta. Apesar de parecer algo extremamente complexo, exigir plenitude ética nos processos simbióticos e muitas vezes parasitas que envolvem Governo e setores privados, os brasileiros necessitam de programas que combatam a corrupção e a miséria ética.


Não é crime um ministro da República jantar com empresários, telefonar para industriais, receber sugestões e pedidos de favorecimentos, viajar em aviões emprestados por amigos, participar de festas e almoços em propriedades de grandes corporações empresariais, receber prêmios e troféus fornecidos pelos detentores das maiores fortunas do País, aceitar doações milionárias para as campanhas políticas, oferecer a mão de suas filhas ou o braço de seus filhos para matrimônios com descendentes de figurões da alta sociedade Brasileira, enfim, não é crime circular o público pelas vias do privado. Com um pouco de boa vontade, talvez, possa ser considerado crime, o circulante público aportar em contas bancárias privadas ou contribuições particulares ilícitas rechearem os cofres de homens públicos. O Tráficode influências não pode ser comprovado e por esta razão, pode ser aprovado pelas hostes jurídicas.


No suposto caso de enriquecimento relâmpago do Sr. Palocci, muitos interesses, assim como os do povo, precisam ser atendidos. Desta forma, opositores, aliados, Governo, PT, ex-presidente, organizadores da copa do mundo de 2014, marketeiros, "imprensa marrom" e tantos outros interessados e interesseiros defendem seus pontos de vista e a visão de suas pontas dos dedos contando dinheiro. O que diz a Lei? O que dizem os interesses? O que dizem os escritores?


Entre a Lei e os interesses cabem mais coisas do que a minha vã inspiração consegue lançar na rede. De qualquer forma, aguardo a manifestação do Procurador Geral da República no Jornal Nacional da Globo, com o mesmo tempo que teve o Palocci, para que o Ministério Público Federal a presente as provas que levaram à absolvição do Ministro Petista e o arquivamento dos pedidos de investigação.


Confesso que gostaria muito que a Lei mostrasse em rede nacional, a fórmula lícita do crescimento do patrimônio do Palocci, para que os meus interesses de conhecer uma Nação onde as Leis são cumpridas, possam ser, finalmente, saciados.


Paulo Roberto Cândido de Oliveira

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Reportagem DN: Na ponta dos dedos

Fortaleza, 15 de maio de 2011

Instituto Hélio Góes oferece aos portadores de deficiência visual educação infantil, ensino fundamental e reabilitação, além de cursos de braille aos seus familiares

Para muitos portadores de deficiência visual em Fortaleza, a Sociedade de Assistência aos Cegos (SAC) é quase uma segunda casa. Seja como paciente do Hospital Alberto Baquit Júnior, como aluno da escola Instituto Hélio Góes ou como frequentador da Biblioteca Braille Josélia Almeida, entre outros espaços da instituição, é lá que se encontra a rede de apoio mais estruturada do estado. Inclusive, no que diz respeito ao acesso à cultura.

O Instituto Hélio Góes é uma escola curricular, reconhecida pelo Conselho Estadual de Educação, que oferece educação infantil, ensino fundamental e reabilitação, além de atendimento para pessoas com outras deficiências (cognitiva, auditiva, motora etc.) e cursos de braille voltado aos familiares dos deficientes visuais (com objetivo de ajudá-los a acompanhar o desempenho dos filhos). A Educação Artística inclui atividades da dança, teatro e música.

"São 10 alunos por sala, inclusive do Interior e alguns de boa visão. Na Reabilitação, o número de assistidos é grande, por isso há dias alternados para as atividades", esclarece a professora Andreia Barros. Além de receber doações, o Instituto se mantém com parte da renda do Hospital Alberto Baquit Júnior e da Unidade Oftalmológica Iêda Otoch Baquit (que atendem pelo Sistema Único de Saúde, particulares e por convênios).

Na escola, Andreia é responsável por um dos espaços mais privilegiados, a biblioteca - cujo acervo é composto por livros em formato tradicional, em Braille e gravados em áudio. As temáticas vão desde a infantil até obras de preparo para Enem e concursos públicos.

Dedicação

Foi lá que, logo pela manhã, encontramos a aposentada Socorro Guedes Almeida, voluntária há mais de um ano da escola. Embora ocupada com uma pilha de livros para carimbar, esbanjou simpatia durante a entrevista. "É muito bom ser voluntária, servir ao próximo. Aqui a gente aprende tanta coisa, inclusive o exemplo vindo das pessoas com deficiência, e o amor dos funcionários pelo seu trabalho. Além de tudo, desenvolve os neurônios para evitar a esclerose", brinca.

"A tarefas dependem da necessidade. Às vezes catalogamos CDs e DVDs, encapamos livros. Uma vez por semana também participo do projeto Livro Falado, leio obras para gravação, que depois são escutadas pelos alunos e assistidos. Atualmente estou gravando um livro sobre igrejas do Ceará. Como é grande e as sessões duram apenas uma hora, devemos terminar até o final do ano", explica a voluntária.

O Setor de Livro Falado é um dos mais procurados no Instituto, por permitir de maneira imediata o acesso à literatura. Outro pequeno colaborador desse projeto é o aluno Juan Pablo, de oito anos, portador de cegueira total. Há dois anos ele é voluntário do projeto Curumim, no qual crianças realizam as gravações de obras escritas. Todo articulado, Juan explica que grava no estúdio do Instituto algumas vezes à tarde, depois das aulas. "Venho com a mãe de um colega ou de transporte. Escuto a história uma vez e regravo todinha. Eu escolho ou peço sugestão pra tia (professora)", conta.

"É importante, porque muitas crianças não têm condições de comprar os CDs. Por isso gosto de gravar, é bom fazer a alegria delas, a gente fica feliz também", explica, do alto da sua maturidade de quem está na alfabetização. "Estamos aprendendo letra V em Braille. É fácil, mas nas provas é mais difícil", diz com uma lógica tão inocente quanto desconcertante.

Uma das histórias preferidas de Juan é a do Patinho Feio. "Mas mudei um pouco, coloquei o patinho bonito, porque feio ele era maltratado. Às vezes faço histórias sem pé nem cabeça", diverte-se, enquanto sai da biblioteca rumo à aula de música. "Estou aprendendo violão e piano, mas queria mesmo era tocar bateria", confessa o pequeno.

Atualmente o Curumins inclui 32 crianças voluntárias, de 4 a 12 anos, que são acompanhadas pelos professores durante as atividades. Normalmente são filhos de funcionários, voluntários ou assistidos. Nem todas fazem gravação, algumas ficam na biblioteca, contam histórias, organizam livros e brincam com outras crianças.
Literatura

Outro destaque do Instituto é a assistida e ex-aluna Luciana dos Santos dos Anjos, de 19 anos. "O assistido pode fazer muitas atividades, como pegar livros em Braille ou falados", ressalta a jovem, que há um anos entrou para a Alasac - Academia de Letras e Artes da Sociedade de Assistência aos Cegos.

Projeto pedagógico criado em 2008, a Alsac visa promover os talentos artísticos da Instituição, além de mostrar aos alunos o funcionamento de uma Academia de artes. O professor responsável pelo projeto, Paulo Roberto Cândido, é deficiente visual, dá aulas de informática no Instituto e é membro da Academia Municipalista de Letras do Estado do Ceará (Amlece).

"Temos as cerimônias, com toda a postura e os rituais de uma Academia. Todos os 20 membros, entre crianças e adultos, são cegos ou têm baixa visão, e já publicou um livro, texto ou teve o trabalho em destaque na mídia. Tem gente que canta, compõe, dança, faz cordel e trabalhos manuais. Os novos integrantes são indicados pelos atuais", ressalta Andreia.

Luciana, por exemplo, entrou no lugar de Mikaele Coelho, que faleceu aos 18 anos vítima de doença degenerativa, após ter escrito o livro "A pequena flor". Assim como sua predecessora, a jovem é afeita das letras. Já se classificou em concurso de poesia e, em 2009 publicou um livro, chamado "Mistérios da adolescência", sobre as experiências de seis amigos.

"À época, escrevi à mão, em Braille, porque ainda não tinha computador. Agora estou escrevendo o segundo, chamado ´Rodrigo´, que é um garoto popular na escola", resume Luciana. "Este estou escrevendo com o Dosvox (programa de computador específico para deficientes visuais), uma coisa mais moderna", brinca Luciana. "Estou tentando fazer a história bem construída, gosto de escrever para o público adolescente. Depois vou procurar alguma editora interessada", planeja.

Sede de conhecimento

Outro frequentador da biblioteca do Instituto é Celso Florêncio do Nascimento, 69 anos, aluno da reabilitação. Por conta de uma infecção após cirurgia de catarata, ficou parcialmente cego em 2006. "Vejo um pouquinho de claridade, só", explica o professor aposentado. "Devido à profissão, andava sempre com um jornal, um livro. Minha primeira preocupação foi não poder mais ler", recorda. "Então procurei o Instituto, e como vinha com tanta vontade, aprendi o braille em um mês e meio. Depois aprendi o caminho da biblioteca e nunca mais esqueci", brinca Celso.

Ele também é usuário do Setor de Livro Falado. "É um recurso excelente, uma forma de continuar ´lendo´. No Braille temos que nos concentrar muito para ler e escrever, e não pode ficar muito tempo sem praticar, senão esquece, perde o tato. No alfabeto são 26 letras (contando K, W e Y), no Braille são 63 símbolos, as pessoas se engancham. No livro falado não precisa disso", ressalta.

Recentemente, Celso escutou o livro "Memórias de uma gueixa". "São 16 CDs, achei muito bem escrito. Também ouvi ´Ensaio sobre a cegueira´. Agora estou escutando ´Iracema´", contabiliza. Também membro da Alasac (ele já escreveu um cordel depois de participar de oficina no Sesc da capital), Celso realiza dois projetos no Instituto. No "Saiba Mais", conta a alunos e assistidos histórias de nomes de ruas de Fortaleza. Já no projeto "Ler Faz Bem", uma pessoa leva um livro, e, na volta, apresenta síntese da obra.

Contribuição

A biblioteca conta ainda com a ajuda de Igor Peixoto, 23 anos, aluno de do curso de Biblioteconomia da UFC. Em seu trabalho como voluntário no Instituto, realiza uma troca de experiencias bastante rica com Andreia. "Ele traz o aprendizado do curso para otimizar biblioteca", comemora a professora.

Igor também dá palestras para as crianças. "Falo sobre as bibliotecas mais importantes do mundo, a evolução desse espaço e de como se portar nele, sobre a importância da leitura e da escrita", detalha o estudante.

Embora usuário do Setor de Livro Falado, Igor defende o Braille. "O livro gravado é ferramenta prática de inclusão, mas o Braille é nosso elo com a leitura, um elemento importante dede identidade cultural".

ADRIANA MARTINS
REPÓRTER

Fonte: Diário do Nordeste